sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Evolução da cultura para a educação

A educação é um processo que permite ao ser humano descobrir ou modificar sua própria realidade.
Para Nassif apud Villalba (2007), “A educação é a ação de um homem cabal sobre um homem total”.
Historicamente as assimilações culturais, modelos éticos e morais foram se transformando e adequando as sociedades, a educação passou por vários estágios e modelos até se constituir no atual, analisando-se a ocidental a partir de suas diversidades culturais, tendo como base a filosofia cristã, e uma apropriação da aceitação das imposições do estado e da igreja.
Platão (427-347), na construção da Utopia, dizia, em todos os casos deve-se dar às crianças, desde o princípio, completa igualdade de possibilidade educativa; impossível prever onde vai surgir a luz do talento ou do gênio; devemos procurá-la por toda a parte, imparcialmente, em todas as raças e classes sociais. O primeiro passo no caminho a trilhar é a educação generalizada.

Não podemos ficar emoldurados na construção de uma educação sobre o ponto de vista aristotélico na qual “a educação deve ficar na mão do estado, o que mais contribui para a permanência das constituições é a adaptação da educação á forma de governo... O cidadão deve ser amoldado á forma de governo sob a qual vive”. Pensamentos que muitas vezes norteiam as nossas instituições educacionais. Ou seja, as próprias vocações são atribuídas na construção da sociedade, que buscam incessantemente saberem qual é a sua função enquanto produtor (ou reprodutor) nas necessidades básicas, para que isto transformado em capital, beneficie o seu próprio país.
A educação para se constituir em formadora de opiniões teve necessidade de se vincular ao conhecimento histórico, com isto, a pedagogia de forma geral deve transferir conhecimentos oriundos da formação da base da sociedade. As relações vivenciadas pelos seres humanos em todos os seus estágios devem ser discutidas nas salas de aula para promover idéias de como estas sociedades se comunicavam e trocavam experiências. A emancipação deve ser fortalecida a partir dos primeiros anos da educação, permitindo ao aluno interação com as verdades estabelecidas. O mundo do imaginário está implícito, mas, com uma educação salutar, onde se tentar sempre a criticidade e estabelecer-se a razão. Permitindo ao aluno exercitar suas capacidades empreendedoras, a finalidade da educação é através do conhecimento da história poder ver a construção de sua própria história, sendo ele aquele que intervirá na transformação da sociedade.
A educação tem como origem os cultos às histórias dos antepassados, contadas de pai para filho. E depois de documentada através de desenhos, imagens, mais tarde transferindo-se para pergaminhos, no mundo moderno a prensa e na atualidade todas as facilidades de meios digitais possíveis.
Devemos como professores trabalhar uma didática histográfica que se desenvolva através da pesquisa, levando o aluno à investigação e o conhecimento da sociedade em todos os momentos.
Na ciência da educação se faz necessário à construção histórica da sociedade estando entre as obrigações do cientista a busca de informações corretas, fundamentadas e embasadas nas conquistas e perdas de espaços provocadas pelas regras manifestadas por governos que permitiram ou impediram a educação como emancipadora do ser humano. Conhecendo a história o educador tem maiores possibilidades de estabelecer linhas de pensamento que facilitem a inclusão de sua disciplina como algo que venha a mudar e trazer novas idéias, compondo e estruturando novos caminhos a serem percorridos pelos envolvidos com a educação.
Na educação do século XXI, muitas são as ações que devem ser tomadas pelos educadores para quebrar os paradigmas existentes.
Conforme Olavo de Carvalho (2006), a vida acadêmica está contaminada pela filosofia de resultados políticos.
Para que o aluno seja um agente de transformação ele deve receber informações que contribuam com seu crescimento crítico, mas isto, só se dará se o corpo docente perceber sua construção acadêmica dentro de modelos autoritários, e que não só de uma educação voltada ao trabalho teremos mudanças na cultura de um país, mas, sim de uma educação voltada ao conhecimento histórico dos processos de que cercearam as sociedades desde os princípios mais remotos, sempre em função do detrimento do conhecimento de pequenos grupos da elite.
Na filosofia de Maritain apud Villalba (2007), a educação deve preparar para a vida, colocar a criança em contato com os interesses da humanidade. Sendo que a racionalidade é o maior bem do ser humano e deve ser para direcionar sua natureza instintiva. O trabalho da educação é adaptar o homem à verdade que é eterna.
Na sociedade dos países emergentes ou dependentes economicamente. Os processos produtivos passam por rápida transformação, diante da necessidade constante da atualização e revisão dos pressupostos da acumulação capitalista, marcado pela incorporação massiva da ciência e da tecnologia como microeletrônica, biotecnologia e novos materiais como força produtiva direta. Também na educação de países desenvolvidos, levando a toda a população os mesmos níveis de conhecimento e não limitando somente as elites.
Podemos observar que através do documento da Unesco de 1998, muitas imposições dos países ricos são imputadas aos países subdesenvolvidos ou emergentes. O que fica claro é que seguimos orientações internacionais, que nos obrigam a desenvolvermos políticas educacionais nos moldando as realidades mundiais. Dentro de culturas absorvidas dos europeus durante estes mais de 400 anos, que acatamos com muita facilidade. É mais fácil seguir aquilo que nos impõem do que discutirmos a nossa própria realidade. A cooperação como parte integrante das missões institucionais e o estabelecimento dos sistemas de ensino superior, onde as organizações deverão ampliar suas ações para desenvolver projetos de cooperação interuniversitárias promovendo a cooperação internacional. A UNESCO e outras organizações por meio de programas de cooperação bilateral e multilateral deverão mobilizar os estudantes a nível internacional como meio de compartilhar esse saber para promover a organização. Questões aparecem, com freqüência sobre o novo paradigma da educação para busca da compreensão das implicações das mudanças tecnológicas, organizacionais e gerenciais para o trabalho humano.
De acordo com o Convênio Constitutivo do FMI e do BM, são objetivos básicos do primeiro, entre outros: a) fomentar a cooperação monetária internacional; b) facilitar a expansão e o crescimento equilibrado do comercio internacional...; c) fomentar a estabilidade cambial e ajudar a estabelecer um sistema multilateral de pagamentos para as transações correntes entre os países membros. Os objetivos do BM, entre outros: a) contribuir para a reconstrução e o desenvolvimento dos territórios de seus Estados membros e estimular o desenvolvimento dos meios e fontes de produção nos países de escasso desenvolvimento; b) fomentar inversões privadas de capital no estrangeiro e complementá-las; c) promover um crescimento equilibrado, no longo prazo, (...) aumentando a produtividade, elevando o nível de vida e melhorando as condições de trabalho em seu território, vemos o direcionamento total para o trabalho. Esses objetivos do BM seriam alcançados via empréstimos diretos dos países membros para empresas públicas ou privadas, participação nesses empréstimos e seu aval, envio de especialistas para estudo da situação econômica e financeira dos Estados, e ajuda técnica nestas matérias e na formação de pessoal qualificado para geri-las. (Solé, 1994, p. 4-5).
A ação do BM tem sido vista, em geral, como muito negativa, por ter financiado “um tipo de desenvolvimento econômico desigual e perverso socialmente, que ampliou a pobreza mundial, concentrou renda, aprofundou a exclusão e destruiu o meio ambiente”. (Soares, 1996, p. 17).
A adoção de um sistema baseado na estabilidade dos tipos de câmbio e a convertibilidade externa das moedas se teria revelado “logo inviável e autodestruindo-se nos primeiros anos setenta, tendo sido, como se sabe, decisiva a atuação dos EUA, vulnerando assim suas obrigações enquanto era, paradoxalmente, o principal artífice do sistema”. (Solé, 1994, p. 6).
Portanto, é fácil concluir como nossos modelos de educação nascem, colocando em nossas mãos o trabalho de transformarmos a educação em emancipadora, permitindo ao nosso educando ser crítico e ao mesmo tempo empreendedor. Nos países subdesenvolvidos continuamos gerando mão-de-obra qualificada para atender aos interesses internacionais. Sem pensar nas deteriorações do planeta, porque tudo parte do econômico. Enquanto isto ideologias que levam a credibilidades se manifestam de forma surpreendente dentro do irracional humano. O processo ensino-aprendizagem não é situacional, mas também pessoal e psico-social, com isso a necessidade de se entender as relações abstratas e ideológicas das sociedades. Segundo Celso Antunes (2005), a escola é o lugar onde se constrói saberes, solidifica os conhecimentos até então acumulados, edifica a cultura, desenvolve conhecimentos, aprimora capacidades, descobre e aperfeiçoa competências e estimula inteligências.
A educação de forma geral de países emergentes ou subdesenvolvidos tem que ter a clareza de estarem trabalhando no sentido da emancipação da sociedade. Platão, apud Durant (1942, p. 46), “(...) pois um homem livre tem que livre também na aquisição de conhecimentos”.
O que vemos é que nas sociedades a educação vem infiltrada de diversos elementos, entre eles a cultura. Na atualidade estas culturas se moldam em modelos enraizados na corrupção e na engenhosidade das instituições religiosas que através de suas influências modelam a educação de acordo com seus interesses, impregnando o cérebro ainda infantil, e, que no passar dos anos não consegue se liberar mais.
Não é justo que se mantenham os mesmos modelos que se manifestaram durante o processo de colonização, sob a ótica de que hoje estamos livres. É claro que as influências herdadas de subordinação ao sistema ainda estão enraizadas fortemente dentro de nossas instituições de ensino.
As dominações exercidas por grupos que sempre quiseram se manter no poder, inclusive dentro das organizações educacionais fazem com que a formação superior sirva de sustentação e manutenção de forças que dizem como deve ser encarado o trabalho, e a função final junto aos acadêmicos.
Muitos profissionais que ainda mantém modelos ultrapassados nas formas de ensinar, achando que seus valores vão construir uma nova realidade da educação, são exatamente aqueles que permitem a continuidade daquilo que está aí construído.
Disciplinas humanas devem preparar-se para rever as realidades que transmitem, devem seus professores estar impregnado da realidade liberando-se de suas crenças e desvios político, que muitas vezes interferem nas transferências de conhecimento.
Os cursos superiores devem oferecer análises criticas tendo seus professores preparados para tal realidade.
Coordenadores, reitores, ocupam cargos não percebendo que o que fazem é a manutenção do poder da elite, hoje muitas vezes mais internacionais do que do próprio país, mas, felizmente possuem catedráticos que buscam a emancipação com muitas dificuldades, porque são na maioria das vezes tem barradas suas idéias. Principalmente se forem universidades particulares em que suas atuações determinam a vontade das elites constituídas.
Para Pinto (1986, p. 27), “Toda a universidade é cúmplice da exploração que pratica, e ao mesmo tempo conserva essas posições de reserva, para nelas alojar qualquer elemento intelectual mais capaz, o qual deixado aos impulsos da própria sinceridade, talvez viesse a se rebelar contra a situação vigente”.
Diríamos que não é somente a Universidade, mas todo o sistema educacional está intrinsecamente influenciado por idéias e tradições de condições que ainda mantém os sentimentos colonizadores de nosso passado. Já que Universidade é a responsável pelos profissionais que coloca no mercado, muitas vezes despreparados pelas reais necessidades que os países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento necessitam e impossibilitados de discutirem determinados assuntos, porque as formações escondem ainda fatos consideradas pertinentes no conhecimento econômico, social, político e religioso. São meros expectadores, quando deveriam ser produtores, criando uma educação aberta as pesquisas cientificas e desmembrados dos sistemas ideológicos dominantes. O que formamos são trabalhadores, raramente pensadores. E os pensadores quando alçados a condição de administradores, acabam cometendo os mesmos erros, já que suas estruturas não têm poder para alterar o que está constituído. Já que uma grande maioria daqueles que vai coordenar, ainda, pensam, de formas retrogradas e ineficientes.
Conforme Pinto (1986, p. 25), “A universidade representa o instrumento mais eficiente para assegurar o comando ideológico da classe dirigente ao lado de outros, subsidiários, como a imprensa, o púlpito, etc, porque ela incumbe a produção dos próprios esquemas intelectuais de dominação”.
A responsabilidade da educação é determinante na construção das liberdades, para Pinto (1986, p. 29), “A universidade absorve e amortece o surto da consciência popular, representado pelo elemento estudantil descomprometido com os poderosos. Transformando a todos como produtos genéricos que vão atuar em prol do crescimento das economias na maioria das vezes de empresas estrangeiras”, e com isto, a dominação religiosa é de suma importância, para poder manter o povo e vários grupos da sociedade dentro de seu marasmo mental, e alienados ao processo.

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