ANTICRISTO
Os mundos ocidentais, influenciados por anticristos, não conseguem resistir às forças intelectuais , sobreviver em um mundo repleto de idéias, de religiões que não se envolvem com o cristianismo, onde os cristãos não ultrapassam a um bilhão e trezentos milhões de habitantes (Fonte: Revista Veja 2003).
Todos aqueles que não professam o cristianismo são considerados anticristo.
O mundo, mesmo no século XXI, não consegue ultrapassar a formação ideológica dos mitos. Os mitos superam qualquer equilíbrio da consciência, impedindo todo um processo de liberdade, condicionados a determinismos que se encaixam na construção do cotidiano. Cotidiano esse que vigora dentro das famílias e constrói as relações sociais, dando sustentação a manutenção do que já existe. Inquestionavelmente é difícil mudar toda a constituição de uma sociedade, quando essa, num processo estrutural e conjuntural se alicerçou em cima de dogmas. Para que o sujeito pense diferente, há a necessidade de entrar em contato com novas formas de pensar. A educação deveria ser a norteadora, talvez aí resida exatamente o compromisso que deve haver por parte das escolas, criando não mais indivíduos, mas sim cidadãos que possam através de suas criticas, desenvolverem uma nova ordem social, despreconceituosa, capaz de rever os conceitos existentes e elaborar uma sociedade não tão dependente do Estado e dos sistemas de dominação.
É difícil imaginar que pelo fato de se falar em anticristos a humanidade consiga ligar tal conceito a ateus, a descrentes, aos sem fé, a desalmados, a incrédulos, como se a crença em determinados mitos colocasse os seres humanos em lugares privilegiados.
Como consentir que culturas tão ultrapassadas e geradas nas construções das sociedades se manifestem cinco ou seis mil anos depois, sem nenhuma alteração, mantendo sob as amarras de Estados, que definiam como abençoados aqueles que estivessem com os grandes sacerdotes? Como mostrar que os próprios sacerdotes foram aqueles que denunciaram Jesus ao Estado Romano e se colocaram exatamente contra ele, permitindo a sua morte? Esta igreja, em momento algum, foi questionada como deveria ser, já que naquele período não havia relação nenhuma da identidade cristo como ser espiritual. Somente eliminava-se o questionador. Também se eliminava qualquer possibilidade de concretização da concorrência com o poder judeu constituído e nas mãos do Império Romano.
Religiões passaram todos estes anos dominando e alienando pessoas em nome de Cristo, quando este falava nas igualdades entre os homens. Talvez os homens não percebessem, porque desde criança, estão sujeitas as culturas que aprendem a se ajoelhar, a baixar a cabeça, a se curvarem quando na presença de entidades ou homens que representam as estruturas de dominação.
Não podemos questionar padres, pastores, mestres, sacerdotes, monges, bispos, diáconos, rabinos, papas, quando estes representam os seus deuses junto aos seres humanos. Como questionar aqueles que em troca da fé, cedem comidas, água, amparos morais, possibilidades de unirem seus fiéis junto a Deus?
Como controlar estes mesmos que recebem dos seus fiéis, quantidades enormes de terras, de doações financeiras ou dízimos? Daqueles que viveram em pecados e que na hora da morte querem socializar aquilo que tiraram dos que não tinham.
Incompreensível fazer a sociedade entender o quanto de riquezas estas instituições tiram daqueles que tinham e dos que não tinham. Entender que as riquezas são levadas para os seus países de origem, gerando cada vez mais lucros e permitindo cada vez mais os seus poderes de controle. Funcionam como organizações financeiras ou empresas internacionais que se estabelecem em um país e sugam tudo o que podem.
Envolvem-se na educação, criando escolas e universidades, interferindo na educação de forma a torná-las subordinadas aos seus pensamentos.
Seus representantes religiosos unem-se às políticas, ditando normas, conceitos e alterando as constituições e conseqüentemente adicionam a vontade de Deus nas leis impedindo cada vez mais o desenvolvimento intelectual dos homens.
Como impedir que os tribunais utilizem símbolos ou figuras religiosas nos seus julgamentos ou nas câmaras que criam leis formalizadas pelos homens?
O mito como força e solução, onde pessoas que passam por cirurgias ou são levadas a curas por homens através de seus conhecimentos a se desfazerem dos seus centros paroquianos, das suas capelas, das suas cruzes, das suas imagens e dos seus santos, tendo como sustentação às tecnologias criadas pelos próprios homens.
Como livrar os homens destes medos e destas relações com o sobrenatural? Contendo seus pânicos e suas loucuras.
Se não houvesse por parte da humanidade a criação dos mitos, o homem seria mais consciente de suas realidades? Ou será que a criação de alternativas paliativas é e sempre será necessária para que o homem se sinta mais seguro enquanto estiver vivendo nas suas utopias?
A criação de alternativas, líderes que se tornaram heróis em função da vontade do Estado, mantendo pessoas vulneráveis a estes heróis. Que se tornaram figuras sublimes e de adoração. Marcando a civilização e criando ritos com os passar dos anos. Símbolos que se tornaram verdadeiros e cultuados e lembrados todos os anos, como forma de massificar e interagir com a sociedade. Tratando de vinculá-los ao ambiente psicológico sem dar tempo para questionamentos. Criando histerias coletivas que se mantiveram e se mantém sem a utilização da consciência.
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